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Felizmente a inclusão ampliou seus domínios… Reflita! Escrito por Izabelle Marques – A INCLUSÃO COMEÇA EM CASA


A INCLUSÃO COMEÇA EM CASA
By Izabelle Marques*

Nos tempos atuais, o tema “INCLUSÃO” está muito em alta, não somente no que diz respeito aos lugares físicos como ao teor das leis, posturas etc.
Felizmente a inclusão ampliou seus domínios e passou a se referir mais com o pertencer, participar e integrar.
Estamos aprendendo a dialogar com mais empatia sobre as diferenças e isso é algo encantador, a meu ver.

Neste texto, quero provocar a reflexão da inclusão sobre aspectos diferentes, mas em especial sobre um dos primeiros e principais, que é a moradia da pessoa que necessita de algum amparo físico.

É comum que se esforce em escolher o melhor imóvel segundo as características dos moradores, considerando a localização, qualidade da construção, identificação com a construção e as condições financeiras.

E é aí que pode habitar um perigo: nem sempre é possível ser incluído no imóvel que se vai viver. E a atenção não pode se limitar na parte interior da casa ou apartamento, mas no prédio todo, nas áreas comuns, nas condições de acessibilidade da vizinhança, se o imóvel conta com elementos que ajudam na vida da pessoa com deficiência, oferecendo itens imprescindíveis como elevador, gerador de energia, entrada e estacionamento acessíveis, dentre outros. Em teoria parece simples, não é?

Por vezes, um imóvel acessível não fará diferença real para a vida prática de famílias comuns que, felizmente, não precisam de cuidados especiais de adaptação… no entanto, um condomínio com acessibilidade, ou com potencial para essa finalidade, apresentará valor agregado em seu preço final, o que se apresenta como uma vantagem competitiva para proprietários e investidores, inclusive. Acessibilidade é um investimento de fim social e também pode oferecer reais vantagens financeiras que poderão ser sentidas em sua negociação.

Vejo que há, em São Paulo e nesse Brasil afora, uma série de edifícios inclusive de alto padrão que conta com recursos sofisticados na segurança e na oferta de espaços comuns porém, que não são acessíveis ou não estão prontos para receber uma reforma que permita, por exemplo, que condôminos com cadeiras de rodas, andadores, carrinhos de compras ou de bebê entrem em suas casas pelo nível térreo, por exemplo. Na maioria das vezes, essas pessoas estão expostas ao perigo do trânsito de carros na garagem, que finda por ser seu único acesso possível.

Morar bem tem a ver com garantir conforto, praticidade, segurança e mobilidade: é esse o nosso mundo ideal, precisamos virar esse jogo!

E por me identificar muito mais com coisas práticas do que teóricas, decidi compartilhar minha própria experiência neste quesito.

Sou usuária de cadeira de rodas desde o nascimento e por esta razão a inclusão sempre foi algo que busquei em todas as áreas da vida. Recentemente também vivenciei a experiência e sorte de ter todos os meus espaços dentro de casa, reformados e adaptados segundo às minhas particularidades.

Como sempre morei no mesmo apartamento que já era habitado por minha família muito antes de eu chegar, os meus país, que não contavam com esse “pequeno detalhe” da minha diferença, nem sonhavam que um dia iriam precisar de uma casa acessível, esse ponto nunca tinha sido antes pensado. E ao longo dos anos tudo foi feito, ora aqui, ora ali, para que não me faltasse conforto, porém, agora sim, foram feitas todas as mudanças estruturais necessárias no apartamento, com ênfase em no meu quarto e banheiro.

Sabemos que o quarto é o ambiente mais característico do morador de uma casa pois lá, refletem-se todas as necessidades, desejos e vontades do dono; o quarto tem que ter principalmente a personalidade, a alma de quem nele vive. No caso do quarto de uma pessoa com deficiência, o ambiente tem que ser projetado levando-se em consideração os estudos dos mínimos detalhes, pois precisa ser e ter tudo aquilo que se encontra em um quarto normal, cumprindo também as demandas de necessidades variadas. No meu caso, a atenção se voltou à utilização de medidas e alturas ideais, dos móveis, ampliação de espaços, substituição de portas de abrir por portas de correr, nivelamento de piso e instalação de acessórios inclusivos, que fizeram toda a diferença para tornar o meu dia-a-dia mais confortável e funcional num ambiente fresco, charmoso e acolhedor.

Nesta concepção, tivemos o desafio de reunir os elementos indispensáveis para o morador em duas facetas: a pessoa com toda a sua personalidade traduzida em cada detalhe e as necessidades funcionais que o ambiente precisa ter.

Para mim, experiência da transformação do “quarto e banheiro inclusivos” foram tão positivas para a minha independência que a obra se estendeu e de “brinde” ganhei acesso direto à varanda e à um cantinho muito especial e que faz a alegria na vida de uma mulher que ama e estuda moda…ou não apenas ela…”Closet Inclusivo” dos sonhos! Dentro dele, onde confesso passar grande parte do meu pouco tempo livre, tenho armários com portas de correr para maior praticidade no uso, alem de área livre para eu “girar” melhor. As divisórias dos armários foram pensadas segundo minhas características o que me possibilita acesso fácil a grande parte de minhas coisas de forma independente.

Assim, com tudo pensado para o meu biotipo, confesso que o meu dia-a-dia melhorou em 200%.
Foram pequenas adaptações, muitas vezes nem percebidas ao olhar que me trouxeram mais independência, fora a alegria pelas vitórias alcançadas após um longo caminho de experimentos, boa vontade e aprendizados.

Ainda é muito desafiador para grande parte dos profissionais de construção, arquitetura e ambientação e que não convivem com a deficiência por perto, avaliarem e trabalharem pela inclusão de forma a tornarem os ambientes livres de obstáculos impeditivos da convivência para quem tem limitações fisicas. Muitas vezes, a falta de conhecimento das necessidades da vida diária, afastam as adaptações que, em si, nem sempre são difíceis, complexas ou caras. Em geral, a boa vontade e criatividade são os elementos suficientes para garantir, com baixos investimentos, conquistas prazerosas e compensadoras.
E, cá entre nós, há sensação melhor do que deitar no travesseiro e saber que você fez a diferença – afetiva e efetiva – na vida de alguém?

Nosso mundo guarda e cria inúmeras outras formas de EXCLUSÃO, que não tratam unicamente de barreiras físicas e palpáveis, mas também das barreiras mais difíceis de serem transpostas que são as interiores e muitas vezes invisíveis, tema este que poderemos abordar numa próxima oportunidade.

O que realmente importa é nosso movimento em tentar a conscientização sobre a inclusão, praticando pequenos gestos na tentativa de trazer as pessoas com deficiência para perto de si.

“MUITAS PESSOAS PODERÃO TER UMA CASA, PORÉM NEM TODAS CONSEGUIRÃO FORMAR UM LAR”
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* Izabelle Marques é Administradora com paixão declarada pelo universo da moda, além de manter grande curiosidade sobre a inclusão em todas as áreas da vida, usando sua própria experiência pessoal para provar a si que limites são questionáveis e adaptáveis. É extremamente feliz quando viaja, lê, ouve música, encontra os amigos ou perde horas a fio nos cafés da cidade.




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